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Guia de escolha

Software para anonimizar documentos: como escolher no setor público

A CGU oferece um tarjador gratuito e ele resolve muito bem o que tramita no Fala.BR. A pergunta que sobra — e que quase ninguém responde — é o que fazer com o resto do acervo: processos judiciais, contratos, licitações, prontuários, folha e documentação histórica.

Leitura de 9 minutos·Atualizado em julho de 2026

Resposta rápida

Para pedidos de acesso tramitados no Fala.BR, use o tarjador da CGU: é gratuito, integrado ao fluxo e feito exatamente para isso. Não faz sentido contratar software para o que já está resolvido dentro do sistema.

Para todo o resto — publicação em portal, processos administrativos e judiciais, contratos, prontuários, RH e acervo digitalizado — é preciso um software próprio. Os critérios que decidem são: remoção definitiva, OCR de digitalizados, volume em lote, perímetro de rede, trilha de auditoria e integração com os sistemas do órgão.

O critério eliminatório é sempre o mesmo: o software precisa remover o conteúdo do arquivo, não desenhar um retângulo por cima dele.

Ponto de partida

O que o tarjador da CGU já resolve — e onde ele termina

O tarjador disponibilizado pela Controladoria-Geral da União dentro do Fala.BR é uma boa notícia para a administração pública. Ele nasceu de um problema concreto: a dificuldade de tarjar era uma das justificativas mais frequentes para negar pedidos de acesso à informação. Resolver isso destrava transparência.

Se o seu caso é responder a um pedido de acesso pelo Fala.BR, a resposta é curta: use o tarjador da CGU. É gratuito, já está no fluxo e não exige contratação.

Onde o escopo termina

O tarjador vive dentro de um sistema específico e serve a um fluxo específico. Fora dele fica a maior parte do que um órgão trata:

  • Publicação em transparência ativa, por iniciativa do órgão, sem pedido nenhum
  • Processos administrativos no SEI e processos judiciais no PJe
  • Contratos, licitações, atas e notas fiscais
  • Documentação de pessoal, folha, sindicâncias e processos disciplinares
  • Prontuários, laudos e pesquisa
  • Acervo histórico digitalizado, muitas vezes sem camada de texto

Esse é o recorte que exige software próprio — e é onde a escolha precisa de critério.

Requisitos

Sete requisitos para o termo de referência

Servem tanto para avaliar uma ferramenta gratuita quanto para especificar uma contratação.

  • 1Remoção definitiva do conteúdo. O texto sai da estrutura do arquivo. Peça a demonstração do teste: selecionar a área tratada, copiar e colar. Nada legível pode ser recuperado.
  • 2OCR de documentos digitalizados. Sem OCR não há como localizar a informação dentro de uma imagem. Em acervo público, a digitalização heterogênea e de baixa qualidade é a regra, não a exceção.
  • 3Preservação da camada de texto do restante. O documento publicado precisa continuar pesquisável e legível por leitor de tela. Softwares que convertem a página inteira em imagem resolvem o sigilo e criam um problema de acessibilidade.
  • 4Processamento em lote. A conta que inviabiliza o manual é o tempo: cerca de 3,5 minutos por página. O software precisa tratar o conjunto, não um arquivo por vez.
  • 5Revisão humana antes de publicar. Detecção automática sem validação transfere a decisão para o algoritmo. O servidor precisa poder ajustar cada marcação antes de gerar a versão pública.
  • 6Trilha de auditoria por ocultação. Quem ocultou, o quê, quando e em qual documento. É esse registro que sustenta a decisão em recurso, em auditoria e em apontamento de controle interno.
  • 7Perímetro e integração. Onde o arquivo é processado, quais sistemas ele conversa (SEI, PJe, armazenamento em nuvem) e se existe API para embutir o tarjamento no fluxo já existente.

Arquitetura

Quatro modelos de operação, quatro consequências

Modelo Como funciona Vantagem Limite
Desktop instalado Programa roda na máquina do servidor Arquivo nunca sai da estação Instalação em ambiente controlado costuma ser vedada; atualização e suporte por máquina; normalmente um documento por vez
Web em nuvem Envio pelo navegador Sem instalação, disponível em qualquer unidade O arquivo sai da rede — precisa de avaliação da área de segurança da informação
API O sistema do órgão chama o serviço Tarjamento embutido no fluxo, sem passo manual Exige desenvolvimento e integração
Proxy no perímetro Processamento dentro da rede do órgão Combina automação com o arquivo sem sair do perímetro Exige infraestrutura própria e homologação

Antes de decidir pela nuvem, leve a pergunta à área de segurança da informação do órgão, não à jurídica. A questão não é a base legal do tratamento: é se a norma interna permite que aquele documento trafegue para fora da rede.

Compra pública

Contratação: o que costuma travar

Três pontos aparecem em quase toda contratação de software de tarjamento no setor público, e vale antecipá-los.

Especificação que não vira direcionamento

Descrever requisitos funcionais — remoção definitiva, OCR, lote, trilha — em vez de características de um produto específico. Os sete requisitos acima foram escritos nesse formato justamente para poderem ser recortados para um termo de referência.

Avaliação técnica de segurança

A área de TI vai pedir documentação sobre criptografia em trânsito e em repouso, controle de acesso, retenção e descarte dos arquivos, e se os documentos alimentam treinamento de modelos de inteligência artificial. Peça esse material antes da prova de conceito, não depois.

Dimensionamento por volume

O preço acompanha páginas tratadas, não assentos. Levantar o volume mensal real — e não o estimado — evita contratar acima ou abaixo. Uma amostra de um mês típico costuma bastar.

Perguntas frequentes

O que costuma ficar em dúvida

Existe software gratuito para anonimizar documentos?

Sim. O tarjador da CGU no Fala.BR atende pedidos de acesso; o TarjaPDF é um projeto brasileiro de código aberto para uso local em Windows. Ambos fazem remoção real. As limitações aparecem em volume, em documentos fora do fluxo previsto e na trilha de auditoria institucional.

O software da CGU serve para qualquer documento do órgão?

Ele foi desenhado para o fluxo de pedidos de acesso do Fala.BR. Documentos que não passam por ali — publicação em transparência ativa, processos no SEI e no PJe, contratos, prontuários e acervo digitalizado — precisam de outra solução.

Preciso instalar algo para anonimizar documentos?

Não necessariamente. Existem soluções desktop, web, por API e por proxy dentro do perímetro da rede. A escolha depende principalmente de o arquivo poder ou não sair do ambiente do órgão.

Como comprovar que a anonimização foi feita corretamente?

Com trilha de auditoria: registro de quem ocultou o quê, quando e em qual documento. O arquivo tratado sozinho não demonstra o critério usado, que é justamente o que se questiona em um recurso.

O software pode anonimizar planilhas, textos e áudios?

A maioria trata apenas PDF. Quando o acervo inclui planilhas, transcrições e gravações — comum em ouvidoria, pesquisa e processos disciplinares — vale verificar a cobertura de formatos antes de padronizar a ferramenta.

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