TI: o que muda no tarjamento em lote de relatórios de varredura
No compartilhamento com outro órgão, o documento que mais vira armadilha para TI e segurança da informação é o relatório de varredura de vulnerabilidades (exportado do scanner em PDF/HTML convertido). Ele costuma sair “pronto para encaminhar”, mas quase sempre traz informações operacionais que não deveriam circular fora do escopo do atendimento.
Nesse cenário, o problema aparece quando o time precisa tarjar em lote dezenas de relatórios semelhantes (um por ativo, por rede ou por janela de varredura) antes de enviar. Se o tarjamento for apenas visual (um retângulo por cima), ou se a equipe tarjar campos errados e deixar metadados e anexos intactos, o outro órgão consegue extrair o conteúdo original com seleção, cópia, busca ou exportação.
A afirmação exclusiva: em relatórios de varredura, os piores vazamentos não estão no “Achado”, e sim nos identificadores repetidos no cabeçalho/rodapé e nos anexos em base64
Relatórios de varredura têm um padrão que engana: a equipe olha para a tabela de achados (CVE, severidade, recomendação) e acha que o risco está ali. Na prática, o que costuma escapar em compartilhamentos interorgãos são os identificadores que se repetem automaticamente em todas as páginas e os anexos técnicos que o exportador embute sem chamar atenção.
Dois pontos são particularmente traiçoeiros nesse tipo de documento: (1) cabeçalhos e rodapés que carregam hostnames, IPs, nomes de domínios internos, caminho de API/URL e até o usuário que rodou a varredura; e (2) seções “Evidence/Output/Request/Response” que podem incluir trechos longos de retorno de serviço ou dumps, às vezes anexados como bloco codificado (por exemplo, base64) dentro do próprio PDF ou do HTML convertido. Esses conteúdos não “somem” porque você cobriu a área visível: se permanecerem na camada digital, continuam extraíveis.
Por isso, a regra operacional para este documento é: a revisão deve começar onde o modelo repete dados (cabeçalho/rodapé e sumário) e terminar onde o exportador esconde dados (anexos, evidências e objetos incorporados). Se você tarjar apenas a tabela principal, ainda deixa um mapa do ambiente no arquivo.
Procedimento passo a passo: como fazer tarjamento em lote sem vazar a camada digital
Como o ângulo aqui é procedimento, o objetivo é sair com um fluxo que o time consegue repetir quando chegar uma pasta com dezenas de relatórios quase iguais. O foco não é “colocar tarja”, e sim garantir ocultação definitiva (remoção do conteúdo) e consistência entre arquivos.
1) Padronize o escopo de compartilhamento antes de abrir o primeiro PDF
Em compartilhamento com outro órgão, a lei e o processo que motivaram a requisição determinam o mínimo necessário. Antes do lote, defina por escrito o que vai e o que não vai: por exemplo, manter CVE e severidade, mas remover IP, hostname, nome de domínio interno, nome de usuário, caminho de URL interno, versão exata de software quando não essencial, e qualquer evidência que revele estrutura.
Esse escopo vira sua “lista de campos proibidos” e evita que um analista tarje um arquivo de um jeito e outro analista, de outro.
2) Separe por tipo de origem: PDF nativo, HTML convertido e digitalizado
Relatório de varredura quase nunca é digitalizado, mas acontece quando o órgão recebe um relatório em imagem, ou quando alguém imprime e escaneia para anexar. O tratamento muda:
- PDF nativo: há texto selecionável. Tarja visual não resolve, porque o texto continua na camada digital.
- HTML convertido para PDF: além do texto, pode haver objetos incorporados e links ativos; revise também metadados e anexos.
- Digitalizado (imagem): não dá para “procurar” IP/hostname sem OCR. Cobrir a área não remove o que está na imagem; você precisa de OCR para localizar e, ainda assim, a ocultação segura exige remover/substituir a área na imagem, não só desenhar por cima.
Se você precisar de uma referência rápida sobre por que “tarja preta” pode falhar em PDF, vale revisar este material interno: https://maven.com.br/tarja-preta-nao-protege/.
3) Monte um checklist de alvos que aparecem em todo relatório
Para lote, o que dá escala não é automatizar “olhando página por página”, e sim encontrar padrões repetidos. Em relatórios de varredura, os alvos comuns são:
- Cabeçalho/rodapé: hostname, IP, domínio, nome do projeto, nome do usuário/conta do scanner, data/hora exata e identificador de job.
- Capa e sumário: range de rede, descrição do ambiente, nome da unidade/órgão, tags internas.
- Seções de evidência: request/response, banner grabbing, strings de configuração, caminhos internos, tokens ou chaves expostas em output.
- Gráficos e capturas: prints podem ter IP/host no canto, ou URL na barra do navegador.
- Links: URLs internas que continuam clicáveis após a conversão.
4) Aplique ocultação definitiva (não apenas marcação) e valide extração
Em PDF nativo, desenhar um retângulo por cima do texto não oculta nada: o conteúdo permanece no arquivo e pode ser recuperado por seleção, copiar/colar, pesquisa ou extração. O que você precisa é um método que remova o conteúdo do PDF (redaction/ocultação definitiva) e, ao final, gere um arquivo em que o texto original não exista mais.
Se sua equipe está padronizando esse passo, estes guias ajudam a alinhar o vocabulário e o método correto: https://maven.com.br/tarjar-dados-em-pdf/ e https://maven.com.br/apagar-dados-de-pdf/.
5) Como operacionalizar em lote sem perder rastreabilidade
Para não “quebrar” o processo, trate o lote como uma pequena linha de produção:
- Crie uma pasta de entrada imutável (originais) e outra de saída (tarjados). Não edite o arquivo original no mesmo caminho.
- Defina um padrão de nomenclatura para a saída (ex.: REL_VARREDURA_[ativo]_[data]_TARJADO.pdf) e mantenha o identificador do original em planilha/registro.
- Automatize busca por padrões antes de tarjar: IPs, nomes de domínio, “/api/”, “Authorization:”, “token”, “session”, “cookie”. Isso não substitui a revisão, mas reduz omission.
- Revise por amostragem inteligente: 100% das capas/sumários; e 100% das páginas que contêm “Evidence/Output/Plugin Output/Request/Response”; e amostra das páginas intermediárias para pegar rodapé/cabeçalho.
- Valide a extração em pelo menos 3 arquivos do lote: tente selecionar o trecho tarjado, copiar e colar em um bloco de notas; tente buscar pelo IP/hostname que você removeu; e tente exportar texto do PDF.
6) Ponto crítico: anexos e objetos incorporados
Alguns exportadores incluem anexos (arquivos embutidos) ou objetos que não aparecem como “texto” na página: logs, respostas completas, imagens com metadados. Na prática, isso significa que você pode tarjar o que está visível e ainda assim enviar junto um anexo oculto com o conteúdo original.
Na revisão final do lote, inclua uma verificação explícita de “arquivos anexados”/“attachments” no visualizador de PDF usado pelo órgão e, quando possível, uma etapa de sanitização que descarte anexos incorporados antes do envio. Se o seu padrão interno permitir, transformar o relatório em um PDF novo gerado a partir do conteúdo já sanitizado (sem anexos) reduz a superfície, desde que não reintroduza dados proibidos.
Quando a demanda for recorrente e com muitos arquivos, uma ferramenta como o MavenDoc pode ajudar a aplicar regras consistentes de tarjamento e reduzir variação entre analistas, mas ainda assim o escopo e o checklist precisam estar definidos por TI para este tipo de relatório.
Verificação prática para hoje: pegue um relatório já “tarjado” do seu acervo e tente (1) buscar pelo IP do ativo no campo de pesquisa do PDF, (2) selecionar e copiar uma linha que parece coberta e colar em um editor de texto e (3) abrir o painel de anexos/arquivos incorporados do PDF. Se qualquer um desses passos revelar conteúdo, o arquivo não está pronto para compartilhamento.

Perguntas frequentes
1) Posso manter o nome do ativo (hostname) e tarjar só o IP?
Em relatório de varredura, hostname costuma ser tão identificador quanto IP, porque entrega padrão de nomenclatura, domínio interno e, às vezes, função do servidor (ex.: “db-”, “proxy-”, “pje-”). Se o outro órgão não precisa identificar o ativo nominalmente para cumprir a finalidade, prefira substituir por um identificador neutro (ex.: “Ativo 01”) e manter uma tabela de correspondência apenas no processo interno.
2) O outro órgão pediu “evidências” do achado. O que devo tarjar nessas seções?
O risco está em evidências que tragam estrutura interna (paths, URLs, headers, tokens, cookies, banners completos, dumps). Uma abordagem segura é preservar apenas o trecho mínimo que demonstra o achado (por exemplo, a linha do banner necessária para comprovar versão vulnerável), removendo o resto. Em especial, revise blocos “Request/Response” e “Plugin Output”: eles concentram segredos operacionais e, muitas vezes, repetem o hostname/IP em cada linha.
3) Como lidar com relatórios convertidos de HTML, cheios de links internos?
Links internos podem continuar ativos e revelar nomes de domínio, caminhos e parâmetros mesmo quando o texto próximo foi tarjado. No lote, procure e remova URLs internas do corpo e verifique se o PDF final ainda contém hyperlinks clicáveis. Se a finalidade do compartilhamento não exige navegabilidade, a versão final pode ser gerada sem links. A verificação é simples: passe o cursor sobre o texto e confira o destino exibido; se apontar para endereço interno, trate como conteúdo a ser removido.
Depois de ajustar o checklist e validar um arquivo “modelo” do lote, o próximo passo é transformar isso em rotina: um escopo padrão do que sai/entra, uma validação de extração antes do envio e um registro do que foi removido. Se você precisa reduzir o tempo de execução sem abrir mão de consistência, vale testar um fluxo de ocultação definitiva com regras repetíveis no MavenDoc e comparar o resultado com o seu processo atual.


